A árvore vermelha (Shaun Tan)


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Faltam palavras para descrever este livro de Shaun Tan. É um livro que nos emudece, nos tira dos eixos e conversa diretamente com nossas inseguranças.

A árvore vermelha é uma obra de arte e impressiona. Ao falar sobre solidão, faz com que não nos sintamos tão sozinhos. Ao falar sobre incompreensão, faz com que nos sintamos compreendidos. Se alma existe, Tan a acessou profundamente para fazer este livro.

Convidamos os leitores a mergulhar nesse mundo intenso e sensível. O autor consegue colocar em imagens e poucas palavras estados de espírito difíceis de serem expressados em palavras. Pode ser uma porta para conversar sobre sentimentos e dificuldades com diversos públicos.

Pontos de conversa:

1) Tristeza;

2) Solidã0;

3) Incompreensão;

4) Cotidiano;

5) Depressã0;

6) Insensibilidade;

7) Mudanças e transformações;

8) Adolescência e juventude;

9) Esperança e sonhos;

10) Pessimismo e negatividade;

11) Fantasia;

12) Medos, temores e pesadelos;

13) Nostalgia;

14) Empatia;

15) Esperança e sentido;

16) Culpa e remorso;

17) Reparação.

Dicas de mediação:

>> Imagens, imagens, imagens, imagens! Para muitos mediadores é um desafio mediar dialogicamente as ilustrações - ainda mais como elas saem do óbvio e pulam no fantástico. Isso é a assinatura de Shaun Tan! Por isso, mediadores, preparem-se! Preparem-se para perguntas que vocês não saberão responder (e que talvez não tenham resposta), preparem-se para imagens que emudecem e se preparem para imagens que emocionam.

A partir da página 7, o livro não segue uma cronologia linear como muitas crianças estão acostumadas e isso é um dos desafios esperados para essa contação. Nossa dica é para que o mediador ajude a direcionar a leitura para os estados afetivos da personagem e os objetos simbólicos presentes nas imagens. Ajudem as crianças a nomearem essa nuance de sentimentos, a compartilharem momentos de sua vida e de sua história que sentiram algo parecido.

Outro caminho, é imagem à imagem procurar vestígios da árvore vermelha que dá título a obra. Vocês notarão que há uma folha vermelha em cada ilustração.

Por ser um livro diferenciado, nossas dicas de mediação serão diferenciadas, os leitores assíduos da revista notarão que nossas dicas estão menos diretivas e mais amplas. Vamos nos aventurar por este mundo? <<

1) Para aqueles que julgam o livro pela capa, A árvore vermelha é um prato cheio de possibilidades. Já de primeira nos simpatizamos com esse pequeno ser, dentro de um barquinho em um vasto lago. Que perguntas você gostaria de fazer para ela? Como ela está se sentido?

2) "às vezes, o dia começa sem nada de interessante no horizonte''. Dica de vocabulário: horizonte aqui provavelmente está se referindo a uma noção de tempo futuro. Isso já aconteceu com vocês? De acordar sem ter perspectiva de algo interessante?

3) ''e as coisas vão de mal a pior''. O autor usou da ilustração para intensificar a carga afetiva, as crianças notaram o que ele fez?

4) "a escuridão esmaga você". De onde será que está vindo essa escuridão?

5) "ninguém entende". A imagem da nossa personagem presa em uma garrafa com uma máscara de mergulho em um dia chuvoso parece denotar um profundo isolamento. Será que ela vai afogar dentro dela mesma? Como vocês se sentem nesses dias chuvosos?

6) "o mundo é uma máquina surda". O cenário urbano, com pessoas uniformizadas e luzes frias lembram a vida moderna de produção e se contrapõem ao grande totem no alto de uma escadaria. Será um deus representado? Que tipo de deus será ele? Como as pessoas nessa imagem parecem estar se sentido?

7) "sem razão ou sentido". Um cenário de recortes e colagens se apresenta para os leitores, convide as crianças a identificarem os sentimentos na imagem.

a) Com que tipos de notícias estamos costumados a ouvir?

b) Afinal, qual o sentido ou razão da vida?

c) Novamente há palavras no background que não foram traduzidas para o português, alguma delas ajuda as crianças? Traduzimos algumas para vocês: história, uso, ideias, palavras, planejamento, você, sistema, leitura, significado, quando de repente, o que quer dizer em a linha de indulgência legitima?, seus amigos são todos cães enfadonhos, eu sei.

8) "às vezes, você espera e espera [...] mas nunca acontece nada". O que seria no cinema um jogo de câmera, faz minimizar o cenário e maximizar a carga afetiva. As crianças já se sentiram esperando uma eternidade por algo?

a) Algumas palavras no backgrond riscadas e marcadas como a personagem marca na casca do caracol: esperando, horas, nada, nunca, tédio, talvez amanhã, abstinência, sozinho, solitário para sempre, ansiedade, medo, frustrado, segundos, dor, vácuo, silêncio, desperdício, tempo.

9) "e então, de repente, todos os problemas desabam de vez''. Que tipos de problemas podem ser esses? Isso já aconteceu com você?

10) "coisas fantásticas acontecem a seu lado, mas não tocam você". O cadeado que prende a janela é o do arrependimento - mágoa/culpa. Já aconteceu de você perder algo bom porque estava se sentindo mal?

11) "catástrofes são inevitáveis". Em um tabuleiro de jogo, nossa personagem segue rumo há uma criatura que segura uma ampulheta, há um único caminho e seu dado parece ter a mesma face (6). O que significa inevitável? Quais são as coisas na vida que não podemos evitar?

12) "às vezes, você simplesmente não sabe como agir diante dos outros". Há muitos elementos nessa ilustração, há outras figuras humanas, tente inferir com as crianças o que esses outros personagens estão pensando sobre nossa protagonista.

a) Quais são os sentimentos centrais na ilustração? Se as crianças responderem tristeza, tente ampliar, a resposta dando outros elementos, como o chapéu que ela usa, os elementos cênicos de palco e platéia. Se ainda assim as crianças não ampliarem a resposta dê um novo modelo para elas que tenha sentimentos como vergonha, isolamento, exposição, timidez. Por exemplo: "No lugar dela eu me sentiria muito inadequado e com muita vergonha...".

b) Uma vez que elas ampliaram a resposta, podemos perguntar se elas já se sentiram assim em algum momento.

c) Traduzindo do finlandês... Nossa personagem tem escrito no seu crachá "quem é você?" e na placa do vulto fantasmagórico está escrito "o que você está fazendo aqui?".

13) "nem quem deveria ser". Em uma ilustração com mais cor e leveza algo acontece. O que ela está fazendo? O que mais chama sua atenção nessa cena?

14) "nem onde você está". Onde ela está? O que parece estar acontecendo no cenário? Vocês já se perderam a ponto de não saberem onde estavam?

15) O que pode acontecer para o dela ficar melhor? No lugar dela, o que vocês gostariam que acontecesse?

16) "e parece que o dia vai acabar como começou, mas de repente lá está ela, bem na sua frente, luminosa e viva, esperando tranquila,exatamente como você havia imaginado" . O que aconteceu?

17) O livro termina com mais leveza rompendo com a atmosfera sufocante da obra. Ao final do livro, muitas intervenções podem ser feitas; uma delas é perguntar o que é essa árvore vermelha para cada uma das crianças. O que é que te ajuda em dias difíceis? O que te dá esperança? O que dá sentido ao seu dia?

Dicas de outras atividades:

1) Em um grupo maior, peça para que os pequenos leitores escolham uma imagem do livro e juntas façam uma estátua/cena ou uma nova ilustração tendo aquele sentimento como base.

2) Em uma das páginas, a nossa protagonista se desenha na parede. Uma atividade legal é pedir para que as crianças se desenhem com a seguinte orientação "Se vocês pudessem se refazer da forma que quisessem, como vocês seriam?".

>> Não perca nosso relato de contação com este livro: http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2015/09/a-arvore-vermelha-de-shaun-tan.html <<

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