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December 28, 2017

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O gato e o Diabo (James Joyce & Lelis)

05.01.2017

 

Querido Stephen Joyce…

Assim começa uma carta, escrita desde o interior da França por um avô, ao seu netinho que ficou em Dublin, Irlanda. A carta é escrita por ninguém menos do que aquele que é considerado, por muitos, o maior romancista de todos os tempos: James Joyce. Este escreve ao seu neto uma carta singela e divertida cem que explica por que os habitantes de certa cidadezinha do interior da França são chamados de gatos de telhado (ou vira-latas). Se você, como eu e mais meio mundo, nunca conseguiu terminar ou nem começar a obra prima do Joyce (o colossal Ulysses), não se preocupe, com certeza vai curtir muito esta história engraçada que as crianças simplesmente adoram, ainda mais na tradução primorosa de nossa maior escritora de literatura infanto-juvenil, Lygia Bojunga, com as ilustrações geniais do Lelis, autor de HQs excelentes e que imprime toda a graça de sua linguagem gráfica inconfundível às ilustrações.

 

A cidade de Beaugency é pacata e agradável, com suas casinhas de venezianas e seus simpáticos habitantes que pedalam pelas ruas cobertas de paralelepípedos (as crianças adoram essa palavra e sempre param nessa parte para brincar de repeti-la). Mas há um problema: a cidade fica à margem do rio mais largo da França (precisa de mil passos para atravessá-lo - as crianças nessa hora costumam se levantar e começar a dar os passos para tentar estimar a largura do rio). Acontece que o povo de Beaugency não conta com uma ponte para fazer a travessia. E isso é um grande problema na vida deles (pausa para imaginar as dificuldades e relatar dificuldades semelhantes).

 

Um dia, o diabo, que lê jornal todo dia (você não sabia disso? Pois é, nem eu…) lê uma matéria em que fica sabendo desse problema do povo de Beaugency. Resolve então fazer uma visitinha ao prefeito da cidade, um senhor que tinha uma corrente de ouro enorme que nunca tirava do pescoço, nem para dormir (por que será?). Imagine a reação das pessoas vendo o diabo em pessoa (suspeitosamente parecido, na imaginação de Lelis, com um certo escritor irlandês muito famoso) andando pelas ruas da cidade, rumo à casa do prefeito.O diabo encontra o prefeito e faz uma proposta muito tentadora para resolver o problema do povo de Beaugency. Que proposta será essa? Qual será a intenção dele? E, afinal, o que tudo isso tem a ver com o fato de os habitantes serem chamados de "gatos de telhado"?

 

É claro que já contamos demais. Agora é a vez de vocês descobrirem. Esperamos que se divirtam, tanto quanto as crianças quando lemos esta história com elas.

 

Pontos para conversa:

  1. Pontes e rios;

  2. Cidades do interior;

  3. Cartas, correios e mudanças na comunicação;

  4. Amizade entre avós e netos;

  5. Saudades de parentes e amigos distantes;

  6. Viagens;

  7. Irlanda;

  8. França e o idioma francês (há um trecho em francês, não o traduza de primeira! Leia-o com a expressão correta, inventando uma voz para o diabo, as crianças morrem de rir e entendem exatamente do que se trata);

  9. Folclore, "causos" envolvendo o ˜capeta˜, ˜pé de pato˜, etc. no folclore brasileiro (com certeza as crianças conhecem vários);

  10. Nomes de habitantes de cada cidade (brincar de relembrar ou de aprender como se chamam os habitantes de cidades e dos estados brasileiros e conversar sobre isso, curtir as curiosidades e pesquisar as origens, trocar conhecimentos (e.g., por que habitantes do Rio são Cariocas, de Salvador, Soteropolitanos, os de Brasília, Candangos? Incluir também as cidades onde cada criança nasceu);

  11. Gatos e suas características (aqui geralmente a conversa flui ao redor dos diversos animais de estimação);

  12. Outros contos e obras famosas que envolvem "tratos"com o diabo (Fausto, etc.);

  13. Qualquer ponto de interesse puxado pelas crianças a partir da história (surgem muitos).

Sugestões de mediação:

  1. Na capa, o diabo aparece gigante, a ponte bem pequena, um pedaço dela flutuando acima da mão do diabo, como se ele a tivesse conjurado. Geralmente, as crianças fazem vários comentários. Não fale nada específico neste momento, deixe que elas explorem livremente suas impressões sobre a capa;

  2. Na contracapa há uma carta iniciada (Querido Stephen Joyce…). Neste momento pode ser perguntado se eles escrevem cartas para alguém, se já receberam alguma carta… mas não demore muito para não perder o ritmo, é importante começar a história que é muito instigante para as crianças.

  3. Uma vez, uma mediadora reproduziu a história toda em papel de carta e a levou dentro de um envelope com selo da França e tudo. Leu a história direto da carta enquanto as crianças acompanhavam as ilustrações no livro. As crianças ficaram extremamente envolvidas e depois quiseram saber tudo sobre selos, correios, etc. Alguém levou uma coleção de selos de diversos países no dia seguinte;

  4. Nas primeiras páginas, é apresentada a cidadezinha de Beaugency. Este é um momento rico em que você pode perguntar se conhecem cidades ou bairros parecidos (não se preocupe, as crianças encontram diversas semelhanças, com cidades vividas, vistas em filmes ou imaginadas - deixe-as livres, pois trata-se de uma estratégia para que explorem bastante as ilustrações. Explore o vocabulário de forma natural, nomeando aspectos interessantes das imagens.Há um bonde que costuma despertar interesse.

  5. Pode-se perguntar em que época elas imaginam que se passa a história, usando as dicas das ilustrações. Vá mediando as hipóteses, alguém pode anotá-las e ao final da história pode-se fazer algumas pesquisas para afunilar as possibilidades. As crianças adoram esse trabalho de "detetive"e isso faz delas leitoras mais atentas e ativas;

  6. Quando o diabo resolve ir visitar o prefeito, pergunte às crianças como elas acham que foi a reação dos habitantes ao ver essa estranha figura andando pelas ruas.

  7. Lembre-se sempre de fazer perguntas abertas, que não podem ser respondidas simplesmente apontando para a figura, nem simplesmente dizendo ˜sim"ou "não". Perguntas abertas desenvolvem o vocabulário e o senso crítico das crianças.

  8. Na cena da visita ao prefeito, pergunte a elas como elas acham que vai ser essa conversa e o que será que o diabo está tramando. Não deixe transparecer a "resposta certa", pois você já conhece a história. Por outro lado, não fique passivo(a) perante as falas das crianças. Questione as hipóteses, tecendo considerações sobre o que já aconteceu na narrativa. Por exemplo, às vezes as crianças insistem que não sabem, e que não têm como adivinhar. Mas você pode ajudá-las a pensar no que já aconteceu e encorajá-las a imaginar a partir daí. Ajude-as a serem mais ativas na leitura. "Não sabemos o que vai acontecer, é verdade, mas, a partir do que já aconteceu, o que vocês imaginam?";

  9. Encoraje as crianças a falarem entre si. Por exemplo, se alguém faz uma pergunta, instigue as outras crianças a dizerem o que acham. Evite que todas as interações sejam apenas entre cada criança e você;

  10. Não queremos dar dicas específicas do restante da história, para evitar dar spoilers, pois esperamos que você também tenha ficado curioso/a! Deixamos você livre para pensar em outras formas de instigar a fala e a curiosidade das crianças. Lembre-se apenas de evitar parar demais ou de maneiras que quebram o fluxo da história. Use a voz e a expressão facial para enfatizar o clima de cada cena.

  11. Finalmente, divirta-se! Leitura compartilhada é diversão dobrada. Boa leitura!

 

Outras atividades:

  1. Leve mapas e fotos da França e da Irlanda, para eles se situarem no ambiente da história. Busque referências aos dois países em desenhos animados, em contos tradicionais, etc., levando as crianças a fazerem relações com coisas que elas conhecem. Se você começar, as crianças geralmente começam a trazer várias outras referências também e isso amplia a conversa. Ao longo da semana, podem ser levados outros contos, filmes curtos, etc.;

  2. Podem ser levadas amostras da música tradicional de cada lugar, para brincar de adivinhar de onde é e também dizer do que gostam, do que não gostam. Pode ser preparado um momento de dança em roda com a música tradicional irlandesa ou uma cantiga de roda francesa;

  3. As crianças podem trazer experiências suas ou de suas famílias em diferentes cidades  do Brasil: "causos" e  histórias que os locais contam. Podem também trazer fotos de lugares do interior do Brasil que são importantes para elas;

  4. O livro "Viagem pelo Brasil em 52 Histórias" (Companhia das Letrinhas, disponível no Acervo FNDE) traz contos brasileiros típicos de cada região do Brasil. Esses contos podem ser lidos ao longo da semana, mostrando que cada lugar geralmente tem suas histórias que são repassadas de geração em geração. As crianças podem trazer as histórias que as pessoas de suas famílias conhecem, ou os familiares podem ser convidados a contarem essas histórias na escola;

  5. Toda a questão das cartas e do correio pode render diversos projetos interessantes, desde trazer postais e cartas antigos da família até um projeto de troca de correspondência com uma turma de uma escola em outro lugar do Brasil, passando por uma visita guiada a uma agência de correios.

 

 

Gostou?

Então confira outras dicas de mediação em nosso blog:

http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2013/02/o-gato-e-o-diabo-de-james-joyce.html

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