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O prato azul-pombinho (Cora Coralina)

14.09.2017

 

Hoje os versos de Cora Coralina nos levaram para uma doce e triste história contada na delicada porcelana de um prato azul-pombinho. Mas qual será o destino dessa peça solitária?

 

"Um prato sozinho,

último remanescente, sobrevivente,

sobra mesmo,  de uma coleção,

de um aparelho antigo

de 92 peças" 

 

Encontramos nessa poesia uma narrativa belíssima que entrelaça as memórias de infância de uma menina com sua bisavó, os jantares e festas de família, com a fantástica história da chinesinha Lui. 

 

Mas nem tudo é tão doce, e quando o prato se quebra, alguém leva a culpa!

 

Pontos de conversa:

1) Família;

2) Infância;

3) Herança;

4) Tradições e crendices;

5) Goiás;

6) Castigo;

7) Vergonha;

8) História do Brasil e da família brasileira;

9) Vasos, pratos, azulejos de cerâmica;

10) Contos orientais;

11) China;

12) Escravatura;

13) Casa grande e senzala; 

14) Rótulos, famas, apelidos;

 

Dicas de mediação:

>> Este poema já foi editado pelo menos duas vezes pela Global Editora, e em ambas edições recebeu belíssimas ilustrações, ora de Angela Lago ora de Lúcia Hiratsuka. Caso, você mediador pegue o poema ilustrado, lembre de ler cuidadosamente as ilustrações junto com seus pequenos leitores, a semelhança que nossa pequena protagonista fazia com sua bisavó. <<

 

1) Dicas gerais: estejam atentos a possíveis palavras e expressões novas para as crianças.  O texto segue quase como um monólogo da Aninha, e ela é de uma geração distante dos nascidos nos anos 2000. 

 

2) Nos primeiros versos, encontramos nossa protagonista falando do solitário prato, ajude a contextualizar as crianças e usa sua voz para criar uma atmosfera de solenidade.

 

3) Leia devagar e com clareza a descrição do prato, as crianças conseguem imaginar o prato azul-pombinho ou conhecem algo semelhante? 

     a) Primeiramente, Cora descreve o prato como todo, e depois descreve os desenhos gravados nele, deixando-nos com um cenário em que há uma ilha, um quiosque rendilhado, um braço de mar, um templo enfeitado por lanternas, árvores e flores, uma ponte, um barco e pombos. Que histórias podemos imaginar com esse cenário?

 

4) Leia os versos que apresentam a leitura compartilhada da história do prato por Aninha e sua bisavó. O que é possível inferir sobre o estado afetivo e atenção de Aninha durante a história? 

"Minha bisavó

traduzia com sentimento sem igual,

a lenda oriental

estampada no fundo daquele prato.

Eu era toda ouvidos.

Ouvia com os olhos, com o nariz, com a boca,"

 

5) Com todos os sentidos a bisneta ouvia a história de Lui e Li, incluindo sua fuga do velho mandarim com o namorado. Assim, como Aninha ficou curiosa, instigue as crianças, qual será o final dessa história?

 

6) As estrofes seguintes nos contam a história do prato - o último de 92 - e conhecemos um pouco sobre ele e a dinâmica da família de Aninha e sua bisavó.

    a)  Contextualize o período histórico em que a história se passa. Inclusive para falar sobre as crianças sobre a escravidão no Brasil. Uma boa deixa são os versos "No dia seguinte, voltava, conduzido por um portador, que era sempre Abdênago, preto de valor de alta e mútua confiança". 

    b) As crianças conhecem o costume de devolver a vasilha/prato que foi emprestado com doces?

     c) "Cuidado com o prato azul-pombinho" dizia a bisavó de nossa pequena protagonista. As crianças já ouviram algo parecido em sua família? O que há de valioso em sua casa/na casa de seus avós?


7) Mas então... Um trágico evento causa um rebuliço na família, uma histeria coletiva.

"Um dia, por azar,

sem se saber, sem se esperar,

antes do salta-caminho,

partes do capeta,

fora de seu lugar, apareceu quebrado,

feito em pedaços - sim senhor - o prato azul-pombinho. " 

a) Isso é familiar na família de nosso pequeno leitor? Há alguma história semelhante em sua família?

b) Como será que o prato quebrou?

 

8) Na discussão da família, acusações são trocadas, bons alíbis colocados em jogo. E então a bisavó teve "aquela coisa" "(Ela sempre tinha 'aquela coisa' em casos tais)". O que será aquela coisa que ela teve?

 

9) Conhecemos a reação da bisa, será que as crianças conseguem imaginar como Aninha se sentiu com a quebra do prato e a história da Lui? 

 

10) Versando com humor e tragédia, a briga da família logo se transforma em um julgamento civil. 

"Eu (emocionada) vendo o pranto de minha bisavó,

lembrando só

da princesinha Lui -

que já tinha passado a viver no meu inconsciente

como ser presente,

comecei a chorar

- que chorona sempre fui.

Foi o bastante para ser apontada e acusada de ter quebrado o prato.

Chorei mais alto, na maior tristeza,

comprometendo qualquer tentativa de defesa.

De nada valeu minha fraca negativa.

Fez-se o levantamento de minha vida pregressa

de menina

e a revisão de uns tantos processos arquivados.

Tinha já quebrado - em tempos alternados,

três pratos, uma compoteira de estimação, uma tigela, vários pires e a tampa de uma terrina."

          a) De suspeita a ré, nada abonou as suspeitas sobre Aninha, que já fora sentenciada antes de seu direito de defesa.  Investigue com as crianças... Já aconteceu das crianças de serem acusadas que algo que não fizeram por causa de seus "antecedentes"?

        b) A semelhança de Aninha, quais seriam os agravantes de suas crianças? Ou seja quais as famas e rótulos - quais vocativos - trazem colado consigo?  

 

11) A pena "uma boa tunda de chineladas" foi trocado por outro "que melhor servisse a todos de escarnamento e de lição".  E assim, não só Aninha ficou proibida de chegar na porta da rua, mas precisou carregar um caco do prato como uma medalha no pescoço. 

      a) As crianças já ficaram de castigo? O que aconteceu? O que fizeram?

      b) Como elas se sentiriam no lugar de Aninha?

 

12) E assim, Cora Coralina termina seus versos dessa memória, entre o doce e o salgado: 

"Chorei sozinha minhas mágoas de criança.

Depois me acostumei com aquilo.

No fim, até brincava com o caco pendurado. 

E foi assim que guardei

no armarinho da memória, bem guardado, 

e posso contar aos meus leitores,

direitinho,

a estória, tão singela, 

do prato azul-pombinho".

 

 

Dicas de atividades: 

1) Vamos as artes! Que tal propor que as crianças re-criem o prato azul-pombinho 

ou façam um novo prato com uma história nova? Muitos materiais podem ser usados para essa atividade, como lápis e papel, recortes e pintura sobre cerâmica! 

2) Que tal fazer uma pesquisa em casa e incentivar as crianças a contar a história de um objeto - que como o prato azul-pombinho, foi passado de geração em geração? 

 

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