Fábula Urbana (José Rezende Jr. & Rogério Coelho)


Para encerrar essa intensiva trazemos para você mais um livro brasileiro. A obra de José e Rogério, provoca intensamente os mais diversos afetos nos adultos e nas crianças. Não fuja da raia e não se omita. Assim como os livros que vieram antes, esta é uma história em que o mediador tem que ser corajoso para expor suas próprias emoções e convidar as crianças para fazer o mesmo.

Fábula Urbana começa com um pedido inesperado, que tira um homem da sua mesmice e automatismo. A surpresa, no entanto, não desarma um homem de terno de seus preconceitos e juízos de valor. Trata-se de um livro inquietante e crítico.

O que você faria se fosse abordado na rua por uma criança que pede um livro, qualquer livro, que pede uma história?

Não se engane, Fábula Urbana fala não apenas da transformação do mundo através dos livros, mas sobre como as relações podem mudar através do compartilhamento de histórias e afetos. E o como isso pode ser assustador e íntimo.

Pontos de conversa:

1) Vida urbana;

2) Abandono e trabalho infantil;

3) Desigualdade social;

4) Shopping e comércio;

5) Racismo, preconceito, discriminação;

6) Analfabetismo;

7) Evasão escolar;

8) Crianças sem lar/desabrigados/sem teto;

9) Medo e violência;

10) Relacionamentos humanos;

11) Contação de histórias e formação de contador;

12) Fábulas e contos clássicos;

13) Drogas e dependência química.

Dicas de mediação:

>> Dicas gerais: cenas de diálogo se revezam com os pensamentos de um dos personagens, por isso esteja atento para delimitar muito bem esses momentos. Sua voz o melhor recurso que você tem a disposição! Além disso, esteja atento a que as crianças estão entendendo dos discursos e análises que o homem de terno faz. Ajude-as a compreenderem novas palavras e a entenderem o que há de implícito.<<

1) Afinal o que é uma fábula? O que significa urbana? O que nossos pequenos leitores esperam de um livro com esse título?

2) Desde a capa, vemos silhuetas e recortes de uma grande cidade. Investigue as ilustrações, o que há nessa cidade? Ela parece com alguma que as crianças conhecem?

3) O livro começa com um diálogo inesperado (pág. 6). “Tio. Ei, tio! Me paga um livro?”. “Não tenho trocado”.

a) Alguém já pediu um livro para você na rua? O que já te pediram?

b) Por que o homem respondeu: “não tenho trocado”?

4) O homem é pego de surpresa e começa a refletir sobre o cenário e contexto em que estão. Chega a conclusão: “era um diálogo inexistente”. (Págs 6 a 9).

a) Como ele chegou a essa conclusão?

b) O livro marca o contraste entre o homem e o menino, mas o que pode haver de comum entre eles?

5) “Pode ser qualquer livro, tio”. O menino insiste o homem é devolvido aquela realidade absurda. Ele se incomoda com o menino. Esse momento do livro (págs. 10 e 11) nos dá possibilidade para problematizar e conversar sobre várias coisas:

a) O que há de absurdo em uma criança de rua pedir um livro?

b) Se o menino estivesse pedindo por comida ou dinheiro o homem acharia a realidade menos absurda? Por quê?

c) Afinal, por que o homem se irritou com a presença do menino?

6) O homem analisa e pensa que não há razão para sentir medo do menino naquele contexto. Sua cabeça então cria um cenário diferente, em que encontrar aquela criança e aquele pedido poderia lhe dar medo. A cena que cria é igualmente absurda. (Págs. 12 e 13).

a) Por que o homem se sente aliviado quando avalia a altura e peso do menino?

b) O que será que ele quer dizer quando se refere a criança como um “embrião de um perigo futuro”?

7) O homem de terno se indigna por ter sido confrontado com aquela realidade nua e crua, em um lugar feito de ilusões. Nas páginas seguintes, o homem faz análise do vestuário do menino e infere coisas sobre sua vida. (Págs.14 e 19).

a) O comportamento do homem de terno - de categorizar, julgar, inferir - é típico de atitudes preconceituosas e discriminativas. Provoque as crianças, como elas estão se sentindo diante do comportamento dele? Há alguma situações em elas já fizeram julgamentos semelhantes? Elas já se sentiram alvo de julgamentos assim?

8) A postura do menino é vista como uma ofensiva (um ataque) e seu pedido como uma agressão.

a) Compare a narrativa - que marca a percepção do homem de terno - com a ilustração. Pela ilustração ele parece estar sendo agressivo? Que sentimentos ela transmite? (Pág. 20).

9) O homem de terno cede ao pedido, e diante das estantes coloridas da livraria, “quase juntos, mas distantes”, ele diz ao menino “escolhe”.

a) Por que será que o imperativo “escolhe” era tão desconhecido ao nosso pequeno personagem?

10) Descobrimos uma das razões na página seguinte. “Tio, como é que escolhe?”.

a) E aí? Devolva a pergunta aos pequenos leitores. Como eles escolhem livros? Que livros eles indicariam ao menino?

11) O homem escolhe meio ao acaso o livro, saca seu cartão e espera um agradecimento comovido, que não chega. (Pág. 24). No lugar de um obrigado, mais um pedido: “tio, lê para mim?”.

12) Sem óculos, sem vontade e com desleixo, o homem de terno começa a ler, misturando histórias e sem entonação. Mas diante dos olhos brilhantes e do sorriso do menino o homem muda sua postura, e se transforma em um contador de histórias.

a) Contraste as duas maneiras de ler e convide as crianças para lerem um texto com entonação e sem entonação.

13) Por que era tarde - “ou por não suportar o assombro familiar e o sorriso antigo que num dia remoto foram seus”, o homem de terno sai da livraria fugido. Durante sua narrativa, intensifique o trajeto lendo num fôlego só.

a) O seu caminho até o carro é marcado pela culpa. Pense junto com as crianças, o que será que ele fez para estar se sentindo culpado? Depois prossiga com a narrativa até chegar ao verdadeiro motivo que o remoía. Era a culpa de ter se esquecido de ter concluído dizendo “... E foram todos felizes para sempre”. Seus pequenos leitores esperavam por isso?

14) Mas o homem não se livrou do menino, saindo do shopping, o cenário aterrorizador que ele tinha imaginado antes (na página 13) se concretiza agora. Janela estupidamente aberta, preso no sinal vermelho, o menino se aproxima com um volume suspeito sob a camisa. Ele saca o livro e atira à queima roupa… Faça suspense e convide as crianças para completarem a história.

“Tio, me ensina a ler?”

Jamais saberemos o que aconteceu entre o homem de terno e o menino com livro, só podemos imaginar e continuar esta fábula urbana. Nossos votos para que a leitura compartilhada continue mudando relações e nossa maneira de ver o mundo. Nos desarmando de nossos preconceitos mais arraigados e transformando nossas relações.

Dicas de atividades:

Para terminar bem essa contação, por que não assistir com as crianças o clipe de Emicida e Vanessa da Mata? Confira o single Passarinhos: https://www.youtube.com/watch?v=IJcmLHjjAJ4

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