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A águia que não queria voar (James Aggrey & Wolf Erlbruch)

December 28, 2017

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Todos os patinhos (Christian Duda & Julia Friese)

16.03.2017

 

Um enredo improvável, afinal Conrado e Lourenço não são um exemplo de família tradicional. Tensão e afeto se entrelaçam em uma narrativa cheio de indas e vindas. 

 

Jovens tem fome de justiça, de ambição, de desejos e de planos. O que acontece quando eles se deparam com uma responsabilidade que vai na contra mão de sua fome - como uma paternidade inesperada? Foi isso que aconteceu com Conrado, que ao se ver com um filhote em mãos, precisou lidar com sua fome por patos.

 

A narrativa de Christian Duda guarda muitos implícitos e não ditos nessa história, está marcada pela luta interna de Conrado. As ilustrações de Julia Friese seguem a tônica da narrativa. Seu estilo de desenhar, mantendo os rascunhos e fazendo sobreposições, sugere movimento e marca o clima de hesitação e dilema do pobre Conrado. 

 

Pontos de conversa:

1) Paternidade;

2) Instinto x cultura;

3) Afeto;

4) Tensã0;

5) Ameaça;

6) Floresta: fauna e flora;

7) Família;

8) Diversidade;

9) Tabu;

10) Segredos;

11)  Mudanças;

12) Gestaçã0;

13) Fome;

14) Cuidado;

15) Adoção;

16) Sequestro;

17) Gravidez na adolescência;

18) Preconceito.

 

Dicas de mediação:

Este é um livro tão rico tem termos de narrativa e ilustração, que nossa equipe ficou se sentindo mais perdida que Conrado - a raposa. É sempre importante que o mediador adapte a mediação à idade das crianças. Neste, em especial, fica a sugestão; às mais novas, aconselhamos uma leitura atenta às imagens e à narrativa, que guarda muita coisa implícita; às mais velhas, achamos proveitoso provocá-las com o clima afetivo da obra que transita entre a fome instintiva e o amor que amadurece. 

1) Já na capa, há inúmeras possibilidades de intervenções:

   a) Como as crianças desenham pássaros? É como Julia Friese os desenhou? Elas já repararam na configuração que os pássaros adotam quando voam?*

   b) O que elas sabem sobre patos? Para onde este bando pode estar voando?

2) A história nos recebe com a ilustração de uma floresta (páginas 6 e 7).

    a) Solicite as crianças para apontarem e nomearem os animais que elas identificam. Considerando os tipos de animais e formato das árvores, em que país pode ser esta floresta?

    b) Nessa floresta há olhos ocultos e pegadas, a quem podem pertencer?

3) "Era uma vez uma floresta...". Continue lendo as imagens com cuidado e sem pressa. Nas páginas 8 e 9, novos elementos dessa floresta se tornam visíveis. 

    a) As crianças identificaram algum animal diferente?

    b) O que são as marcas pretas espalhadas na ilustração? Perceba que é uma imagem confusa e ambígua, por isso, trabalhe todas as possibilidades com as crianças,  de formigas a pegadas. Para onde essas marcas pretas nos levam?

4) "[...] uma pata encontrava-se à beira do lago" (páginas 10 e 11). "Debaixo da pata, havia um ovo e no ovo um patinho ainda sem nome" (página 12). Por que será que o patinho não tinha nome?

    a) Este é um momento interessante para perguntar às crianças a história de seu próprio nome. Você pode perguntar por exemplo: "em algum momento vocês foram como esse patinho sem nome?" ou "Joana, antes de você nascer, quando você estava na barriga de sua mãe, você já era Joana?".

    b) Que nome as crianças dariam a este patinho?

5) E... nessa floresta há uma raposa com muita fome. Muita fome mesmo! "Onde há fome há barulho, pois um estômago vazio fica rosnando", (página 13).

   a) Há um estômago vazio rosnando por aí? 

   b) Outra possibilidade de intervenção é perguntar se o estômago das crianças faz barulho quando elas têm fome e pedir para elas imitarem o som!

6) Ainda na página 13, descobrimos que Conrado - a raposa - só consegue pensar em como ele vai arranjar comida. E, como esperado de uma raposa, ele pensa em patos para sua refeição. O narrador nos adianta que esta é a história de Conrado e o patinho ainda sem nome. "E assim eles se conheceram...". Aproveite o suspense para perguntar as crianças como elas acham que vai ser este encontro.

7) Uau! O que aconteceu?! Deixe as crianças narrarem o que aconteceu através da ilustração nas páginas seguintes.

8) A expectativa das crianças foi concretizada? Foi concordante com o que o narrador diz em seguida: "Na verdade, Conrado queria conhecer a mamãe-pata e isso quase deu certo"? Discuta com as crianças: por que Conrado queria conhecê-la? (Páginas: 16 e 17).

9) Ainda na página 17 há tantas possibilidades de intervenção! 

    a) Sobre a ilustração podemos perguntar às crianças se as pegadas que Conrado deixou são familiares.

    b) No texto: "Conrado conheceu o ovo, e não a mãe do ovo. Então ambos ficaram tristes por um instante". Quem ficou triste? Eles ficaram triste pela mesma razão?

10) O final da narrativa na página 17 e a tirinha da página 18 nos narram o evento. Deixe as crianças contarem o que aconteceu.

11) Então, o plano de Conrado de fazer uma bela omelete foi frustrado por um patinho muito feliz: "mamãemamãe". "Não! Papai!" corrigiu automaticamente Conrado, "papaipapai". Talvez caiba aqui uma curiosidade: as crianças sabem algo sobre imprinting**?

12) Na página seguinte (20) o autor já nos deixa uma intervenção: "O que faço agora?" Conrado se perguntou. Como ele matará sua fome com um filhote tão pequenininho? 

13) O plano de Conrado se torna explícito num acesso de alegria: "Eu vou devorar você mais tarde, quando você estiver gordo e redondo como uma bexiga."! Logo em seguida, a raposa dá um nome ao patinho - Lourenço. (Página 22).

    a) O que as crianças acham sobre o plano de Conrado?

    b) A iniciativa da raposa de dar um nome ao patinho é coerente com o plano de comê-lo? O que as crianças acham disso?

14) Entre as páginas 24 e 27 , encontramos o que parece ser um álbum de fotografias de Conrado e Lourenço.

    a) As crianças conseguem perceber a passagem do tempo?

    b) Deixe que elas digam o que está acontecendo em cada foto. E incentive o debate: Conrado está agindo de acordo com seu plano - de engordar Lourenço para o abate? Ou agindo como um papaipapai?

15) O tempo passou, mas a fome de Conrado, não (página 28)! O livro nos surpreende com um a receita de pato refogado na página 29! Leia a narrativa da página 28, depois leia a receita para as crianças e observe sua reação. Na opinião delas, Lourenço corre perigo de ir para a panela?!

16) Veja só crianças, às vezes, quando um pato amadurece ele começa a pensar em outras coisas além dos peixes que estão no lago. Lourenço, especialmente começou a pensar em uma certa patinha - Ema! (Páginas 30 e 31). Quando o pato Lourenço apresenta seu pai a Ema, ela fica muito agitada - como patas ficam ao ver uma raposa. Mas ele lhe diz: "Ele é diferente dos outros" (página 32).  A quem Conrado está sendo comparado? Em que ele é diferente?

17) O plano de Conrado mudou, agora ele quer devorar Ema! Mas está decidido a esperar Ema e Lourenço se desentenderem antes, pois não quer seu filho fique magoado com ele. "... eu coloco ela na frigideira e assim voltamos finalmente a ficar a sós [...] se ele se apaixonar muitas vezes, eu poderei comer muitas vezes. Um bom filho cuida do seu pai".  (Páginas 34 e 35).

   a) Há alguns sentimentos implícitos na fala de Conrado que podem ser explorados e investigados com as crianças.

   b) Uma possível intervenção muito interessante é discutir o conceito de cuidado quando Conrado disse "Um bom filho cuida do seu pai".

18) Nas páginas 36 e 37, entramos novamente um álbum de fotos, além dos eventos em si, pode-se investigar a carga afetiva implícita em cada momento.

19) Deixe as crianças olharem com atenção a foto de família na página 39 e narre os acontecimentos na página 38. Alguma coisa mudou na relação Conrado-Ema. O que mudou? Como essas mudanças aconteceram?

20) A intensidade da mudança é tamanha que Conrado vem da defesa de Ema (páginas 38 e 39). Isso pode surpreender há muitos leitores, mas talvez não surpreenda tanto quanto o que acontece a seguir (páginas 40 a 42). Ema bota 5 ovos!     a) E agora?! Ema e Lourenço ficam muito - muito - surpresos. Será que ninguém havia explicado para eles de onde vem os patinhos?! Como as crianças explicariam ao jovem casal o que aconteceu? (Páginas 43).

    b) Vovô Conrado vem ao resgate, de maneira obstinada e decidida. Quais são as dicas que ele dá ao jovem casal? Você pode ampliar e pedir para que as crianças imaginem ou compartilhem os conselhos que seus pais receberam de seus avós. (Páginas 42 a 47).

21) Por mais que Conrado tenha mudado em suas ações, sua fome persiste e ele tem um sonho (página 48). E no sonho, seu eu raposa lhe diz. "É isso! Logo os filhotes estarão grandes e então eu nunca mais precisarei passar fome". Será que o sonho vai impactar a relação de Conrado com sua família-pato?

22) O tempo passa e sua família se multiplica, Conrado sempre está cercado de filhotes (páginas 49 a 51). E juntos eles falavam uma linguagem secreta. Pela primeira vez no livro, fica explícito que os demais animais na floresta achavam aquela uma família estranha e desviavam de rumo. Por que será que isso acontece? Incentive as crianças a pensar uma estratégia para mostrar esta família diferente aos demais animais. 

23) O tempo continua passando, e a raposa está cada vez mais velha e cansada. Conrado falece, ele parece feliz. Sua família o enterra e continua morando perto dele. Com o final da história, pergunte as crianças se elas acham que Conrado foi feliz apesar de sua fome. 

 

Dicas de Atividades:

1) Toda essa história nos lembrou daquele filme da Pixar, ganhador do Oscar, Zootopia. Que tal uma sessão de filme e pipoca? 

 

 

**Imprinting: Instinto de alguns filhotes de se vincularam com a primeira figura que vêem em movimento, por isso, podem aceitar como figura parental e materna uma diferente espécie. Saiba mais: 

 

 

 

 

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