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A águia que não queria voar (James Aggrey & Wolf Erlbruch)

December 28, 2017

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Por que o mar tanto chora (Neil Philip & Nilesh Mistry)

23.02.2017

 

Retiramos esse conto de coletânea já bem conhecida: Volta Mundo ao em 52 Histórias. Essa é a única história brasileira desse livro, veio diretamente do nordeste e é conhecida também por Cinderela Sergipana. Cá entre nós, a versão mais bonita de contos análogos à Cinderela. <3

 

Uma das coisas mais surpreendentes (e também mais ricas desse conto) é o sincretismo dos símbolos que remetem às nossas matrizes culturais. Assim em cima, como em baixo; já dizia Trimegisto, assim no conto como na cultura.

 

A linguagem desse crônica é suave, profunda, onírica. Não há explicações ou justificativas, a lógica cartesiana passa longe. Os elementos vão se juntando e a história segue fluindo como um rio. 

 

Ao longo deste mês, nossa equipe leu muitos contos fantásticos para preparar essa intensiva, e, ao longo de nossas leituras,  ficou claro o quanto perguntas como "por quê" e a lógica causal não nos ajudavam a entender a história. Então, no lugar do por quê, começamos a perguntar para quê e nossa lógica mudou, tornou-se uma lógica afetiva, onde as coisas fazem sentido, embora não possam ser explicadas.

 

Por isso, hoje convidamos para que os leitores afinem seus ouvidos e se sintonizem a esse universo mágico.

 

Pontos de Conversa:

1) Religião;

2) Promessas;

3) Milagres e maldições;

4) Magia e beleza;

5) Fuga;

6) Nobreza e corte;

7) Amizade e fraternidade;

8) Esquecimento;

9) Mar e seus mistérios;

10) Belezas e riquezas naturais;

11) Símbolos europeus, africanos e indígenas;

12) Cobras e serpentes;

13) Amor e paixão;

14) Contos fantásticos;

15) Infertilidade e gestação;

16) Casamento;

17) Questões de gênero.

 

Dicas de Mediação:

1) Uma rainha deseja conceber uma criança e não consegue. Esse é um tema comum nos contos populares, e, ao contrário de muitos contos europeus, a rainha não recorre a uma bruxa ou feiticeira. "Meu Deus, permita que eu engravide, nem que seja para dar à luz uma serpente".  Acontece que ela é atendida... de uma forma um tanto literal. (Página 46).

2) "[...] Deus ouviu sua prece e lhe concedeu uma filha, que nasceu com uma cobra enrolada no pescoço". Primeiramente, pode parecer uma imagem assustadora, absurda e grotesca, mas Nilesh Mistry ilustrou lindamente as duas irmãs. Por isso, antes de continuar com a leitura que irá descrever a relação entre as duas, vá para a imagem com as crianças (é a que em destaque!). Auxilie as crianças a inferir a carga afetiva que a imagem parece apresentar.

3) A cobra, batizada de Dona Labismina, ama o mar. E um dia parte, deixando sua irmã sozinha em terra. Vai embora com a promessa de que viria ao auxílio de sua irmã Maria quando ela estivesse em perigo. Que tipo de perigo Sona Labismina pode estar falando?

4) Anos mais tarde, um rei rabugento, velho e feio chega ao reino de Maria. Ele tem a missão de descobrir a dama em que caiba o anel que sua falecida esposa deixou, pois somente a dona da mão que o anel coubesse poderia ser sua nova esposa. Claro que a Dona dessa mão era Maria. Ajude as crianças a interpretar os olhares e expressões dos pais de Maria (na imagem central) e o seguinte trecho: "[...] seus pais exultaram, pois o viúvo era imensamente rico". Afinal, qual era a preocupação e interesse dos pais da princesa?

5) Maria não está nada satisfeita com aquele pretendente. Lembra da promessa de Dona Labismina e clama por ajuda. Na primeira vez, Labismina diz a princesa falar ao rei que se casaria se ele lhe desse "um vestido da cor da mata e com todas as flores". Depois, "um vestido da cor do mar com todos os peixes" e por fim, "um vestido da cor do céu com todas as estrelas". Qual será o plano de Dona Labismina? Como pedir os vestidos ajudou Maria? 

6) Os pedidos de Maria, que aparentemente parecem impossíveis, são realizados um a um pelo rei que era imensamente rico. Não restava outra saída para Maria, a não ser fugir. Dona Labismina já tem um plano e, dessa vez, pede algo para si. "Este barco a levará para um reino distante, onde você se casará com o filho do rei. No dia do seu casamento, vá até a praia e me chame três vezes, para que meu encantamento se rompa e eu também seja princesa". Ajude as crianças a imaginar como Maria se sentir ao saber que sua irmã poderia se tornar humana.

7) Chegando ao reino distante, disfarçada, a princesa Maria pede um trabalho e é encarregada do galinheiro (página 48). Será que a princesa era uma boa cuidadora de galinhas?

8) Quando chega a oportunidade, Maria não a perde. No festival anual, ela por três vezes encanta o jovem príncipe com seus lindos vestidos. Embora ele quase tenha a reconhecido, queda-se enfermo de amor não correspondido ao final do festival. As ilustrações remetem aos três dias de festa e Maria em seus três vestidos, ajude as crianças a identificarem os jovens e a narrarem como foram esses encontros e desencontros. 

9) O príncipe, no entanto, foi mais esperto do que o Príncipe Encantado que ficou refém de um sapatinho. Ele mesmo dá uma joia no terceiro dia de festa. Assim, quando adoece, sua mãe tem que aceitar que é sim a moça do galinheiro que está por trás dessa história. E Maria tem como provar que ela é a moça dos três vestidos.

10) Mas no dia do seu casamento, "zonza de felicidade, a jovem esqueceu de ir a praia e chamar três vezes por sua fiel amiga. Assim, Dona Labismina nunca se libertou de seu encantamento, e é por isso que o mar tanto chora." Com esse desfecho, voltamos ao título: o que o mar e as lágrimas tem em comum? Conseguem imaginar qual seria o gosto do mar se Dona Labismina não tivesse sido esquecida por sua irmã?

 

Outras Atividades:

Que tal fazer junto com as crianças os três vestidos de Maria usando materiais sortidos? =) Envie para a gente (livrosabertos01@gmail. com) sua arte para colocarmos nesta reportagem! 

 

 

 

 

 

 

 

 

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