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A Maior Flor do Mundo (José Saramago)

22.09.2016

 

O que faz uma história ser uma história para crianças? O que faz uma história ser uma história infantil ser uma boa história? Quais são as características de um bom autor? Como ele tinha Marte no quintal? Como ele deu a volta ao mundo e voltou no mesmo dia? A Maior Flor do Mundo de Saramago deixa os leitores e as crianças com pulgas e mais pulgas atrás da orelha.

O texto é criativo, poético, imagético e intenso, convida a muitas intervenções e indagações.

As ilustrações deste livro, o que dizer sobre elas? João Caetano não economiza nas texturas, usa colagens, camadas, diferentes materiais, é impossível impedir que as crianças passem a mão pelas páginas. Assim como foi impossível para que nosso herói protagonista não passasse o dedo pela pétala da flor que encontrou (imagem em destaque).

Conheça, sem pressa, A Maior Flor do Mundo!

 

Pontos de conversa:

1) Metalinguagem;

2) Como escrever uma história?;

3) Recontação;

4) Fantasia e criatividade;

5) Seca;

6) Interior do Brasil;

7) Fauna e vegetação brasileiras;

8) Volta ao mundo;

9) Sistemas vegetais;

10) História de gente grande x histórias de gente pequena;

11) Infância e brincadeiras infantis; 

12) Cuidados parentais;

13) Vizinhança.

 

Dicas de mediação:

Para facilitar as nossas dicas, vamos didaticamente separar a obra em 3 pedaços. A primeira chamarei de Anseios do Autor (que é a parte introdutória da história, em que Saramago se coloca e compartilha seus receios de - sendo um autor de gente grande - não conseguir se fazer entender nessa história). A segunda é a História Propriamente Dita, que começa quando o menino faz isso e isso, após o autor nos apresentar a história e o cenário. Por fim, temos o Encerramento e o Convite Final. 

Como alguns leitores podem ter notado, está difícil para nossa equipe conter nosso humor e não nos contaminarmos com a metalinguagem própria desse livro. 

Vamos ao trabalho!

 

1) Na primeira parte, Anseios do Autor, encontramos um homem idoso, compartilhando de seus receios e suas crenças a respeito da literatura infantil. Ele estaria de alguma forma subestimando o universo de compreensão infantil? Converse com as crianças sobre essas crenças.  "As histórias para crianças devem ser escritas com palavras simples?", "Vocês sabem poucas palavras?", "Vocês não gostam de palavras complicadas?", "Como um autor tem que ser para escrever uma boa história?" (Perguntas referentes a página 4). "Vocês também acham que os contos de fadas são as histórias mais bonitas?''(Página 6). Na página 8, o autor diz as crianças que elas  podem perguntar se tiverem dúvidas, mas oriente-as também a falar com o mediador e com o grupo quando algo ficar confuso ou elas não concordarem com algo da história. Por isso, depois dessa orientação, toque a história e deixe que as crianças façam as próximas intervenções.

2) Antes de irmos para o segundo momento do livro, é bom pedir para que as crianças recontem o que aconteceu até ali, afinal a primeira parte propiciou muitas discussões e não podemos perder de vista qual é o maior objetivo do autor... Contar uma história.

3) A História Propriamente Dita, se concretiza a partir da página 14. Ele começa descrevendo o relevo, as plantas, os cheiros. Não sei se é por coincidência ou não, mas é a partir dessa página que as crianças ficam mais interessadas na ilustrações. E elas tentam a perceber com as mãos. 

4) Nas páginas 16 e 17 finalmente somos apresentados a questão central da história. O menino encontra uma flor que está mais para lá do que para cá, e ele decide salvá-la. "O que a gente pode fazer para cuidar de uma flor assim?". Muitas crianças vão dizer para o menino dar água a planta, com isso volte a narrativa "Mas que dá água? Ali, no alto, nem pinga. Cá, por baixo só no rio, que longe estava!..." (Trecho da página 17). "E será que a distância vai mudar a opinião do menino?", "Quão distante vocês andariam para ajudar uma flor?".

5) O autor nos responde ainda na página 17 que não importa a distância! E será que as crianças vão se surpreender como os adultos, ás vezes se surpreendem ao ouvir que o menino atravessou o mundo e foi buscar água no rio Nilo? Há muitas possibilidades de intervenção junto a página 19. Uma delas é partir para a ação e usar o próprio corpo para explicar o que aconteceu, no côncavo da mão ele apanha a água e volta para encontrar a planta! "O que acontece quando tentamos seguramos água com as mãos dessa forma?", "Será que ele vai chegar a tempo?". Mas ele chega com 3 gotas... e ao beber as três gostas, a sedenta planta "como se fosse um carvalho, deitava sombra no chão". Utilize o texto imagético de Saramago ao seu favor, e através convide as crianças a serem carvalho e fazerem a maior sombra que conseguirem.

6) Dar a volta ao mundo não é tarefa fácil para um adulto, imagine para uma criança! Nosso protagonista caiu no sono embaixo da flor (página 20), em em casa... seus pais se preocupam (página 21). Será que isso já aconteceu com as crianças? Elas já perderam noção do tempo e preocuparam seus pais?

7)  O menino é encontrado em baixo de uma pétala multicolorida e é levado de volta a sua aldeia com grande festa. Pergunte as crianças as razões para ele ser recebido com tanta festa. (Páginas 22 a 25).

8) Nos encaminhamos para a etapa final do livro, Encerramento e Convite final. Na página 26 o autor compartilha qual foi a moral da história. Admito que ainda estou tentando entendê-la. Então, se alguma de suas crianças entender compartilhe com a gente! ;)

9) Lembra da insegurança do autor no início do livro? Será que a forma de como ele contou para as crianças foi compreensível? Pergunte para elas e então siga com a narrativa, em que o autor compartilha seu desejo de um dia se deparar com sua história de uma forma diferente, escrita de outra maneira. E convite então as crianças para recontar a história e deixá-la mais bonita. 

 

 

 

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